25 de Janeiro, 2006

preciso de quase tudo novo guarda-chuva 
guarda-vida guarda-cabeça guarda-chave guarda belo
chuva é vida cabeça é chave do belo

 

Escrito por Cy D'Olímpio em 10:14:53 | Link permanente | Comments (1) |

16 de Janeiro, 2006

trinta e seis

segunda-feira. tento fugir dos clichês literários, mas o tempo me força a usar um deles. chove lá fora. é aquela chuva fina, primaveril, o que acentua em mim aquele sentimento de angústia que normalmente me acompanha nas noites de domingo. só que hoje é segunda. dia de recomeço e não de angústia. sinto o velho clichê anunciar uma mudança. parece que ele quer me forçar a ver o que o jornal da globo noticia. cenas de um garimpo na região metropolitana de são paulo clareiam o meu quarto escuro e trazem a face de uma mulher marcada e sofrida pela pobreza. perguntada pelo repórter, diz ter trinta e seis anos. "qual é mesmo a sua idade?", pergunta novamente o homem parecendo não crer no que ouvira. sim. trinta e seis. talvez tenha sido isso o que mais me chocou. minha idade estampada no rosto de uma mulher que aparentava ser minha mãe.

seria a pobreza? a busca dolorosa e dolorida por metais para vender a 17 centavos o quilo? não sei. apenas sei que não é por falta de cremes, botox, alimentação balanceada, cirurgias, santos remédios para tantas mulheres para quem "pobreza", "luta por dignidade" são apenas expressões isentas de práticos. seria eu uma delas?

volta à minha mente a imagem daquela mulher. essa sensação — estranha, sufocadora — até então eu não tinha ou, pelo menos, não sentia ter. já me disseram que é a maturidade dos quarenta anunciando uma etapa cheia de questionamentos, dúvidas, revoltas. será esse o preço da maturidade? será assim a tal "idade da loba"?

aquela mulher estaria também passando por esses questionamentos? seriam significativas para ela tais angústias? não seriam angústias exclusivas daquelas que estão do outro lado da tevê e longe desses garimpos urbanos? interrogações, dúvidas, sim e não. isso tudo, ou nada disso, representam hoje minhas percepções diante das cenas que o mundo insiste em me mostrar. cenas em que gente — como aquela mulher — existe, vive, persiste, envelhece aos trinta e seis anos e morre, alheia ao sofrimento passivo daqueles que a vêem pelo colorido ilusório da tevê e pelas letras negras dos jornais.

 

erika vullu

Escrito por Cy D'Olímpio em 15:35:03 | Link permanente | Comments (1) |

happy end

o meu amor e eu
nascemos um para o outro
agora só falta quem nos apresente

estilos trocados

meu futuro amor passeia — literalmente — nos
píncaros daquela nuvem.
mas na hora de levar o tombo adivinha quem cai.

quem de dentro de si não sai
vai morrer sem amar ninguém

a parte perguntou para a parte qual delas
é menos parte da parte que se descarte.
pois pasmem: a parte respondeu para a parte
que a parte que é mais — ou menos — parte
é aquela que se reparte.

passeio no bosque

o canivete na mão não deixa
marcas no tronco da goiabeira
cicatrizes não se transferem

- cacaso

 

 

 

 

Escrito por Cy D'Olímpio em 15:23:47 | Link permanente | Comments (0) |

12 de Janeiro, 2006

presença

é bom. é tão bom. só sei que é muito bom. a vida melhor que a gente passa na vida.
Escrito por Cy D'Olímpio em 15:23:52 | Link permanente | Comments (0) |

10 de Janeiro, 2006

receita de ano novo

para você ganhar belíssimo ano novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
ano novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
 


não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver.
 


para ganhar um ano novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente. 
é dentro de você que o ano novo
cochila e espera desde sempre.


drummond

Escrito por Cy D'Olímpio em 10:12:11 | Link permanente | Comments (0) |

28 de Dezembro, 2005

é dezembro... um mês vermelho, agora quase branco. finda o ano. findoano.
me sinto quase febril. quero uma roupa que nada tenha que ver com o tempo, mas com o meu secreto frio. diálogo mudo e anônimo entre mim e meus fantasmas.

a dor é um arpão no cérebro ou uma ferida na loucura?

Escrito por Cy D'Olímpio em 11:40:53 | Link permanente | Comments (0) |

hoje o dia conflui muitos dias. muitas horas, minutos..., minutos enormes e arrastados. uma dor forte na cabeça que não consigo despir. um corpo que não foi amarrotado por outro corpo, mas presença... uma espera inadiável.

Escrito por Cy D'Olímpio em 11:38:22 | Link permanente | Comments (0) |

ela nunca quis saber o que a esperava no útero do futuro
onde a dor cumpria uma regra temporal de sangue
coagulado na ampulheta

teimando em fragmentar o tempo

Escrito por Cy D'Olímpio em 11:06:23 | Link permanente | Comments (0) |

27 de Dezembro, 2005

Photos

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Escrito por Cy D'Olímpio em 16:48:52 | Link permanente | Comments (0) |

absorvo lentamente o café, quase por entredentes, entretantos, entrementes... penso no próximo cigarro. e na poesia que teima em vasculhar meus poros à procura de uma abertura. mas sou represa, as palavras escorrem lentamente, assim como o café, quase por entredentes, entretantos, entrementes...

Escrito por Cy D'Olímpio em 16:18:58 | Link permanente | Comments (0) |